
A NASA é uma agência imponente, pertencente ao Governo Federal dos Estados Unidos, conhecida até por leigos já que seu nome está associado à missões como APOLLO, o famoso pouso na Lua.
A NASA tem um histórico de desenvolvimento de tecnologia e pesquisas, desde a criação de turbinas, propulsores e satélites como SATURN até registro fotográficos para análises geológicas. Tudo isso favorece sua reputação, uma série de acadêmicos já se utilizaram e utilizam inúmeros dados fornecidos pela agência. Falaremos mais especificamente da agência em outro post.
Creio que a infelicidade se dê por meio do fato de que os investimentos da agência estatal não se resuma ao relatado acima, há tentativas de lançamento de foguetes, satélites externos e mais, tudo dedicado às missões espaciais. As missões, em tese, têm objetivos favoráveis ao desenvolvimento humano em vários sentidos, alguns até suspeitos. Mas existe um dilema intrigante dentro disso tudo que é: tais projetos são prioridade no tocante ao desenvolvimento humano e pautas ambientais? Poucos se fazem essa pergunta, inclusive muitas autoridades americanas.

Numa matéria do El País “Quanto custou ir à Lua? E quanto custaria voltar?”, de 2018, decorrente de um discurso do presidente Donald Trump, divulga-se as seguintes informações:
Entre 1959 e 1973, a NASA destinou 23,6 bilhões de dólares para a exploração da Lua, sem incluir o gasto com infraestrutura. Essa cifra, segundo o valor do dólar de 1973 e levando em conta a inflação, equivale a 131,75 bilhões de dólares atuais (425,2 bilhões de reais, pouco mais de 7% do PIB brasileiro).
Em outro parágrafo, ainda falando sobre orçamentos para a agência, é dito o seguinte:
Um subcomitê do Senado dos Estados Unidos aprovou na terça-feira (14) um orçamento que forneceria US$ 22,75 bilhões para a NASA no ano fiscal de 2020. Isso é uma boa parcela do que a agência buscava em financiamento adicional para o programa Artemis— mas não tudo. Agora cabe ao comitê completo do Senado responsável por aprovar os gastos aceitar a proposta no dia 26 de setembro.
Em outro parágrafo ressalta o seguinte:
O valor de US$ 22,75 bilhões está US$ 1,25 bilhão acima do que a NASA recebeu no ano fiscal de 2019, e dos US$ 435 milhões acima do que a Câmara propôs em suas contas de gastos de 2020, aprovadas em junho.
As razões de tal orçamento é esclarecido em outro ponto da notícia, alegando:
De acordo com o senador Jerry Moran, esse valor “fornece aumento de recursos para missões científicas, aeronáutica, restaurando programas críticos de educação em STEM e avançando na exploração humana do espaço”.
É de conhecimento público que a construção do maquinário destinado às missões espaciais e o investimento em pessoal para efetuar tais tarefas é altíssimo, além de todos os esforços em análises de situação, estatísticas e testes de aplicabilidade e funcionamento. Em contrapartida, há muita exigência em projetos e programas, mas pouco é exigido em resultados funcionais, úteis.
Na mesma matéria é dito ainda que a NASA busca 1 bilhão para pouso de humanos na Lua. E algo mais de interessante é ressaltado no penúltimo parágrafo da mesma notícia:
A senadora Jeanne Shaheen, membro do subcomitê, observou que o orçamento proposto “permite um eventual retorno de humanos à Lua”, mas não mencionou o ano de 2024, que é a data em que a NASA planeja enviar astronautas à superfície lunar através do programa Artemis.
A maior parte dos gastos calculados até o momento não estão visando prioritariamente a próxima viagem à Lua e as viagens de coleta de amostras do solo marciano. As datas previstas para tais missões são 2024 e 2026.

Haverá sempre quem veja o lado positivo de projetos como esses atribuindo os avanços nas áreas de informática e observações climáticas. Mas a ironia, porém, está vinculada a posições muito anteriores a 2018 e 2019. Quão anteriores são essas posições? Que tal 2001? Sim, já no ano de 2001.
No fim do ano 2001, de acordo com a BBC, uma Comissão com especialistas recomenda menos gastos com missões espaciais:
As finanças da Nasa, a agência espacial dos EUA, foram fortemente criticadas por uma comissão independente que inclui dois ganhadores do Prêmio Nobel.
Segundo a comissão, a Nasa gasta demais, e sua participação na Estação Espacial Internacional foi considerada de credibilidade duvidosa.
E continua-se afirmando:
O motivo destes custos, segundo o relatório, é a má administração de recursos feita pela Nasa.
“As deficiências atuais na estrutura administrativa, na cultura da empresa, na definição de gastos e controle de projetos devem ser corrigidas para que o programa (da estação espacial) continue de modo que tenha credibilidade”, diz o relatório.
É de se estranhar a preocupação mesmo de autoridades científicas com os gastos com tais missões, e ainda mais preocupante é toda a questão em si estar desconexa de eventos como o aumento de céticos quanto a viagem à Lua e outras viagens espaciais e debates a respeito de Terra Plana que se manifestaram radicalmente nos últimos anos.
Em uma matéria da revista VEJA publicada em fevereiro 2012 e atualizada em maio 2016 temos a chamada “NASA reduz gasto com missões robóticas interplanetárias”, segundo as informações retiradas dos próprios meios de comunicação da NASA. É dito em um trecho da matéria o seguinte:
Os crescentes gastos com missões acima do orçamento previsto – como o James Webb Telescope, sucessor do Hubble, que na proposta original deveria custar 1 bilhão de dólares e hoje tem custo previsto de 8,8 bilhões – obrigaram a Nasa a abandonar a parceria que havia firmado com a ESA (agência espacial europeia). As duas agências trabalhavam juntas na missão ExoMars, que pretende lançar um orbitador e um veículo a Marte, um em 2016 e outro em 2018.
No último trecho da matéria encontra-se uma fala com mais senso de realidade financeira que as vistas em outras ocasiões, porém ainda problemática no sentido de assumir que a agência costuma complicar-se na hora de calcular os orçamentos necessários para suas operações de modo ou outro.
As atuais missões a Marte, como o Mars Science Laboratory, continuarão recebendo dinheiro. Contudo, “a agência ainda vai estudar a formulação de missões de médio porte compatíveis com a nossa realidade financeira”, disse Bolden, administrador da NASA.
Ao que parece, mesmo para administradores da maior agência espacial global as condições financeiras para os trabalhos pretendidos não estão de acordo com sua economia.
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